António Nobre
António Nobre

PT

Em certo reino, à esquina do planeta,

Onde nasceram meus avós, meus pais,

Há quatro lustros, viu a luz um poeta

Que melhor fora não a ver jamais.

 

Mal despontava para a vida inquieta,

Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,

À falsa fé, numa traição abjecta,

Como os bandidos nas estradas   reais!

 

E, embora eu seja descendente, um ramo

Dessa árvore de heróis que, entre perigos

E guerra, se esforçaram pelo-ideal:

Nada me importas, país! seja meu amo

O Carlos ou o Zé da T’resa…. Amigos,

Que desgraça nascer em Portugal!

 

 

 

Coimbra, 1889.

EN

Em certo reino, à esquina do planeta,

Onde nasceram meus avós, meus pais,

Há quatro lustros, viu a luz um poeta

Que melhor fora não a ver jamais.

 

Mal despontava para a vida inquieta,

Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,

À falsa fé, numa traição abjecta,

Como os bandidos nas estradas   reais!

 

E, embora eu seja descendente, um ramo

Dessa árvore de heróis que, entre perigos

E guerra, se esforçaram pelo-ideal:

Nada me importas, país! seja meu amo

O Carlos ou o Zé da T’resa…. Amigos,

Que desgraça nascer em Portugal!

 

 

 

Coimbra, 1889.